terça-feira, 25 de maio de 2010

Um Sopro Do Leste

Nas primeiras vezes em que estive em templos orientais, espantou-me o silêncio ali abafado. Muito embora, na maioria das vezes, fosse um ambiente cercado da mais completa movimentação urbana, reitero: era possível transitar pelo recinto incólume aos ruídos externos.
Tanto no budismo como em outras vertentes religiosas provindas do Oriente, o culto à interiorização é uma constante. Alteram-se as técnicas mas, na prática, o intuito é o mesmo: ouvir-se. Isso justifica elementos que favoreçam a empreitada como, por exemplo, fragmentos da cultura milenar servirem de "isolante acústico" e sustentáculo da tradição: um seichi (lugar sagrado) locado nas veias da metrópole paulistana.
Mas não mais no desenho geográfico estes espaços destoam. A paisagem da cidade, com todo o seu hibridismo cultural, nos é comum hoje. Caminhamos na contramão dos orientais em nossos "valores modernos": na pressa que atropela a gentileza, no individualismo que mina a generosidade e, sobretudo, nos parcos momentos de quietude - rapidamente preenchidos por qualquer barulho.
Tantas são as influências vindas das bandas de lá que eu penso valerem algumas reflexões, também, quanto às crenças e práticas, portanto, voltarei a tratar das questões do Oriente.
Matta Ne! (Até Logo!).

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