Uma infância retraída e a primeira escolha, pela lógica – a Física -, que asseguraram alguns anos de estabilidade financeira, aparecem nos primeiros capítulos, ao descrever os anos de estudo na Universidade. Mas o auge de sua história se dá ao romper, radicalmente, com a racionalidade e optar pelo subjetivo e fazer dele, por vezes, objeto de estudo ou, ainda, mero canal onde se pudesse desovar a dor.
Pintura e literatura. As artes que lhe proporcionaram grandes encontros. Ora com ele mesmo, ora com uma sociedade onde os ais parecem tilintar em cada esquina. Como os grandes escritores latino-americanos; García Marques e Eduardo Galeano, Sabato também soube ir buscar na desigualdade social argumentos para justificar sua inquietação. As homenagens a companheiros políticos conclamam a atual juventude à resistência e à mudança de valores. “Tempos de homens partidos”, diria Drummond. E Ernesto reconhece ao criticar incisivamente a doutrina do consumo que nos distancia a todos. Máquinas suprindo a mão de obra e o tempo reduzido ao capital. Aos neófitos na Terra, a mensagem que transmite é a de que a tarefa será árdua.
Quando a perda bate a sua porta, levando-lhe o filho e a esposa, o escritor discorre com maior veemência sobre a existência do Criador. “Deus se esconde atrás do sofrimento”. Açoitado pela angústia e pela tristeza, ancora-se nas figuras de simples pessoas que, com uma religiosidade latente, ajudam a melhor compreender a existência.
Antes do Fim resgata boas histórias, aponta – com profundidade – questionamentos inerentes a qualquer ser quando próximo da morte e, principalmente, exalta a vida ao tratá-la com veracidade: rica em contrastes, mistérios, tristeza, beleza e sabedoria. E a escolha pela literatura foi certeira, já que se trata de um poderoso instrumento para exprimir todas as emoções, verdadeiramente.
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