Quando vejo um fotógrafo andarilho, amador, empunhar sua máquina – cautelosamente – penso que vá à cata de sua própria sensibilidade, escondida nos traços, nas paisagens, na poesia das composições que lhe são atraentes. Muito embora o registro seja externo, o movimento é contrário. Trata-se de uma viagem interior travestida de arte. E o êxtase do clique certeiro é ver, refletida no visor, a impressão de sua alma. Conseguiu-se decodificar um sentimento que, à espreita, aguardava o momento de se manifestar.
A fotografia é, antes de tudo, isso: uma linguagem. Há uma mensagem e espera-se do observador que, ao apreciá-la, a absorva. Talvez não integralmente, já que a suposição e a imaginação são fundamentais.
Por anos, na história da fotografia, louvava-se a representação precisa, a suposta impossibilidade de invasão do fantasioso na produção da imagem, o seu caráter industrial e científico - não havia espaço para crendices e fabulações barrocas da sociedade que a precedera. Este tipo de atividade se propunha como apontamento da memória, como lembrete do que se perdeu no cotidiano, na banalização, na secularização de certos acontecidos, e não se quis perder, mas era um registro histórico e social - o documento de uma época. E ainda hoje o é, muito embora os aparatos digitais e o acesso fácil a eles deem à prática um caráter "lúdico". O fotógrafo detém certa liberdade e faz com que cada clique seja a inauguração de um olhar.
Afinal, o que vale na hora de fotografar? Um dos maiores expoentes na área, Cartier-Bresson, certa vez, discorreu sobre este momento: “É preciso esquecer-se, esquecer a máquina. Estar vivo e olhar. É o único meio de expressão do instante. E, para mim, só o instante importa. E é por isso que adoro, não diria a fotografia, mas a reportagem fotográfica, o estar presente, participar, testemunhar com a alegria da composição.“
Não há como negar a completa satisfação ao ver o resultado da captação de uma boa imagem. Esta subversão da lógica do tempo em que, ousadamente, o paralisamos. Mas a graça está, sem sombra de dúvida, em perceber que - apesar de estática - há na foto algo que pulsa no instante em que o observador coloca sobre ela os olhos e o coração.
Fonte: A Sociologia da Fotografia e da Imagem, José de Souza Martis
Foto: Cartier-Bresson
Afinal, o que vale na hora de fotografar? Um dos maiores expoentes na área, Cartier-Bresson, certa vez, discorreu sobre este momento: “É preciso esquecer-se, esquecer a máquina. Estar vivo e olhar. É o único meio de expressão do instante. E, para mim, só o instante importa. E é por isso que adoro, não diria a fotografia, mas a reportagem fotográfica, o estar presente, participar, testemunhar com a alegria da composição.“
Não há como negar a completa satisfação ao ver o resultado da captação de uma boa imagem. Esta subversão da lógica do tempo em que, ousadamente, o paralisamos. Mas a graça está, sem sombra de dúvida, em perceber que - apesar de estática - há na foto algo que pulsa no instante em que o observador coloca sobre ela os olhos e o coração.
Fonte: A Sociologia da Fotografia e da Imagem, José de Souza Martis
Foto: Cartier-Bresson
3 comentários:
Poxa! Que belo texto! É, sem mover uma vírgula, como eu penso. Vou procura-lo na biblioteca da faculdade ;)
Carol,
Muito bom o texto, a foto, a expressão do seu ser neste blog! Genial, prima querida! Tenho paixão por fotografia e entendo que o estático fica apenas no papel já que todo o resto é sempre dinâmico... Nosso olhar, nossos sentimentos! Sua lindona! Beijos! Sá
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